quarta-feira, 18 de maio de 2016

A DOR E A DELÍCIA DA EXPERIÊNCIA

Ali, em pleno salto, o homem, suspenso no abismo, entre o isto e o aquilo, por um instante fulgurante é isto e aquilo, o que foi e o que será, vida e morte, num ser-se que é um pleno ser, uma plenitude presente. O homem já é tudo o que queria ser: rocha, mulher, ave, os outros homens e os outros seres. É imagem, casamento dos opostos, poema dizendo-se a si mesmo. É, enfim, a imagem do homem encarnado no homem. (PAZ, 1982) 




O sujeito de experiência seria algo como um território de passagem, algo como uma superfície de sensibilidade na qual aquilo que passa afeta de algum modo, produz alguns afetos, inscreve algumas marcas, deixa alguns vestígios, alguns efeitos. (...) o sujeito da experiência é um ponto de chegada, um lugar ao que chegam coisas, como um lugar que recebe o que lhe chega e que, ao receber,  lhe dá lugar. (Larrosa, 2009, p. 158)







São nas potências dos encontros que acontecem as possíveis transformações. E posso afirmar que de uma forma transformadora a experiência de levar para meus alunos o exercício cênico: Entrelaçando Memórias, perceber no olhar, no estar atento, na lágrima que teimava para não cair, nos sorrisos de prazer, a presença viva deles, como sujeitos da experiência que se deixaram atravessar pela apresentação, pelo momento.
Pensando na escola como um ser movente, mas que as vezes se move só para trás, no sentido de que quando o Entrelaçando Memórias passou pela escola que leciono, eu acreditava que seria um passo a frente na (re)descoberta de novos olhares, novos lugares, de novas sensações e de uma nova aproximação com os alunos.  
Tenho certeza que com os alunos eu alcancei esses objetivos. Ficamos mais próximos, nosso envolvimento em sala e fora dela se deu de uma forma mais verdadeira, o retorno que me trouxeram em relação a apresentação foi bastante positiva.  
O que percebo com isso é que essa experiência é minha, é dos alunos... 

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